quinta-feira, novembro 24, 2011

PRAÇA GONÇALVES DIAS









NA PRAÇA GONÇALVES DIAS

Três e trinta da manhã.
Na praça Gonçalves Dias,
contempla a casa das tias
que dormem profundamente
sem saber que um turista
de si mesmo ali espia
as janelas fechadas.

A criança que foi
é quem olha a casa estática,
enquanto o  tempo flui
na madrugada silenciosa.

Sobre a palmeira de pedra
o poeta o observa
e o vento antigo da ilha
bate e refresca seu rosto.

Tudo foi exílio em sua vida.

Mas naquele instante,
três e trinta da manhã
na praça Gonçalves Dias,
está de volta à casa
onde um dia o mesmo vento
bateu naquele rosto sem rugas
e sem desesperança.

Contempla por um tempo
os azulejos, que refletem
as lâmpadas elétricas da praça
na noite sem estrelas.

E logo desce a escadaria da praça
de volta ao bar ainda aberto,
de volta ao tempo presente
e aos barulhos do mundo.



SONETO DA PRAÇA GONÇALVES DIAS

Como o poeta de pedra nesta praça,
o exilado que é mira o poente.
Os seus olhos atentos saem à caça
dos telhados e torres à sua frente.

Ali ainda estão. Mas, à direita
do sol que se afunda na baía,
uma cidade feia e estrangeira
se ergue onde antes nada havia.

As torres, os mirantes, os telhados,
intactos ao tempo e ao destino
olham o poeta, longe, indiferentes.

Será que reconhecem o menino
nesse velho  que mira o seu passado
com os olhos fatigados do presente?

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