O PERFUME DA POSSIBILIDADE
Amanhece, é novembro
e não
há nada
que faça deter
a enxurrada
da vida.
O sol
brilha lá
fora
e um
pouco aqui
dentro.
Acendo um
verso
e um
cigarro.
Logo mais
estaremos na estrada.
SIM À VIDA II
Relâmpago verde,
o olho
dela me ilumina.
Por um
breve instante,
sou pura
luz.
Na praia
do Arpoador,
entre o crepúsculo
e as pedras,
pairamos sobre o mar.
No ser
incorpóreo,
não habitam os males do homem.
Por um
breve instante,
vírus algum
trabalha em
meu corpo
o seu não
PRIMEIRO DE ABRIL DE 1994
Será que
Deus vai chamar
pelo meu
nome: "Jamil,
eu só
queria brincar,
foi um
primeiro de abril!"?
O PORTADOR
O portador
porta o vírus
e algumas coisas claras:
uma camisa
amarela,
um canivete
suíço,
um par
d'óculos na cara.
O portador
porta o vírus
e outras coisas obscuras:
poemas que
ninguém leu,
canções que
ninguém ouviu
e uma esperança
danada!
Como moeda
em seu
bolso,
o portador
porta a vida
e a morte,
seu outro
lado.
Cara ou
coroa? Que
importa?
Já conhece essa jogada.
Sabe que
isso que
porta
não lhe
serve para nada
se com
isso não
fizer
aquilo que
está na cara:
do medo
da morte, a vida,
do vírus,
uma virada.
IRMÃ
És apenas
um retrato.
No entanto,
aqui estás,
viva
como um
caranguejo, um
coelho,
um beija-flor.
Antes e depois
desse momento
eternizado,
a vida
seguia, seguiu
seu curso,
avançando como o câncer
que já
te consumia.
A vida
seguiu seu curso
no apartamento
em Salvador
na tarde
ensolarada em
l980
até aqui.
E agora,
na foto,
sã, intacta,
cara a cara
comigo,
tu lanças
teu sorriso.
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