Dois inéditos poemas antigos de amor e sexo:


GÊNESIS
o amor que quero fazer contigo
não está no kama sutra
nem nas revistas de sacanagem
o amor que quero fazer contigo
haverá de ser casto e pornográfico
e se alguma poesia nele houver
será feita só com a sintaxe
de nossos dedos e bocas
e nossos gestos ardentes
assim não haverá palavras
só os gritos e os sussurros da carne
do vegetal e da pedra que então seremos
pré-animais, pré-humanos
seremos a primeira forma de vida
que surgiu no mar primevo
o gozo no caos criando eros
teremos que inventar o próprio amor
a cada gozo
e ao fim dos dias da criação
repousaremos
sob um céu em festa
e sobre as águas vivas
e céu e terra e mar
quererão então nos imitar
nesse ato inaugural
A GUERRA
De lança em riste
- e no entanto desarmado -
aqui estou,
pronto para a batalha
que no horizonte da cama se anuncia.
Vem, guerreira,
com a tua arma,
pequena e úmida,
arfante e rósea!
Aponta
tuas máquinas de amar,
teu peitos e nádegas
e executa os planos secretos
de inéditas delícias.
Nenhuma tática te espera.
Só o corpo-a-corpo e o improviso.
Ser conquistado será minha conquista.
E quando pelo chão do quarto
recolhermos juntos os despojos desta guerra,
seremos, enfim,
vencedores e vencidos.
GÊNESIS
o amor que quero fazer contigo
não está no kama sutra
nem nas revistas de sacanagem
o amor que quero fazer contigo
haverá de ser casto e pornográfico
e se alguma poesia nele houver
será feita só com a sintaxe
de nossos dedos e bocas
e nossos gestos ardentes
assim não haverá palavras
só os gritos e os sussurros da carne
do vegetal e da pedra que então seremos
pré-animais, pré-humanos
seremos a primeira forma de vida
que surgiu no mar primevo
o gozo no caos criando eros
teremos que inventar o próprio amor
a cada gozo
e ao fim dos dias da criação
repousaremos
sob um céu em festa
e sobre as águas vivas
e céu e terra e mar
quererão então nos imitar
nesse ato inaugural
A GUERRA
De lança em riste
- e no entanto desarmado -
aqui estou,
pronto para a batalha
que no horizonte da cama se anuncia.
Vem, guerreira,
com a tua arma,
pequena e úmida,
arfante e rósea!
Aponta
tuas máquinas de amar,
teu peitos e nádegas
e executa os planos secretos
de inéditas delícias.
Nenhuma tática te espera.
Só o corpo-a-corpo e o improviso.
Ser conquistado será minha conquista.
E quando pelo chão do quarto
recolhermos juntos os despojos desta guerra,
seremos, enfim,
vencedores e vencidos.