CONSTELAÇÃO SENTIMENTAL
(Nilson Chaves – Jamil Damous)
constelação sentimental
meu coração espacial
nave do tempo
guarda bem dentro
todos vocês
todo mundo
todo o mundo
corre no fundo do leito do rio
de janeiro fevereiro março abril
todo mês
todos vocês
no céu da memória
brilha uma estrela uma história
dentro de mim
deserto não repleto sim
sentimental constelação
meu coração tem tanto amor
quanta saudade invade
o espaço interior
constelação sentimental
uma canção especial
leva no vento meu pensamento
a todos vocês
todo mundo
todo o mundo
toda a felicidade
toda e qualquer cidade está
no bar do parque
belém belém belém belém
tudo bem
todos vocês tantas estrelas
olhar pro céu é tê-las
dentro de mim
deserto não repleto sim
sentimental constelação
meu coração tem tanto amor
quanta saudade invade
o espaço interior
No Rio de Janeiro, final da década de 70, começo da de 80, Nilson Chaves, Cristóvam Araújo, eu e outros paraenses estávamos sempre juntos e, juntos, curtíamos as saudades de Belém. É dessa época a belíssima Olho de Boto, poema do Cristóvam musicado por Nilson. Constelação Sentimental é mais uma das canções de saudades de um tempo anterior àquele que a gente vivia. Gosto do verso “toda e qualquer cidade está no Bar do Parque” e da repetição do nome da cidade, tão lindamente cantada pelo Nilson. Por muitos anos, impliquei com o verso “quanta saudade invade meu espaço interior”. Queria tirar o pronome e substituí-lo pelo artigo “o”. Brincava dizendo que parecia coisa de “viado que faz análise”. Mas a canção já estava gravada. De tanto insistir, o Nilson fez a mudança de uma única sílaba e hoje já há gravações com “o espaço interior”. Mas a verdadeira razão da mudança era pra que o verso ficasse em sintonia com os anteriores “canção espacial” e “nave do tempo”. O “espaço interior” aí estaria em oposição a espaço exterior, sideral, reforçando a constelação de metáforas “astronáuticas”.
