UMA ARTE
Elizabeth Bishop
(Trad. de Jamil Damous)
A arte de perder não é tão difícil assim;
tantas coisas querem ser perdidas
que perdê-las não é algo tão ruim.
Perca algo a cada dia. Aceite, sim,
a hora extraviada, a hora perdida.
A arte de perder não é tão difícil assim.
Depois perca mais rápido, vá ao confim
da perda de lugares, nomes, da partida
que não aconteceu. Não é tão ruim.
Perdi o relógio de mamãe e agora vim
de perder três casas tão queridas.
A arte de perder não é tão difícil assim.
Perdi duas cidades lindas. Foram-se de mim
um império, dois rios e um continente pela vida.
Sinto sua falta. Mas nada tão ruim.
Mesmo perder teus gestos e tua voz, pra mim
não muda nada, pois, querida,
a arte de perder não é tão difícil assim,
embora pareça... (Vai, escreve!) ...tão ruim.
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