segunda-feira, agosto 15, 2011

UMA ARTE

Elizabeth Bishop


(Trad. de Jamil Damous)


A arte de perder não é tão difícil assim;

tantas coisas querem ser perdidas

que perdê-las não é algo tão ruim.

Perca algo a cada dia. Aceite, sim,

a hora extraviada, a hora perdida.

A arte de perder não é tão difícil assim.

Depois perca mais rápido, vá ao confim

da perda de lugares, nomes, da partida

que não aconteceu. Não é tão ruim.

Perdi o relógio de mamãe e agora vim

de perder três casas tão queridas.

A arte de perder não é tão difícil assim.

Perdi duas cidades lindas. Foram-se de mim

um império, dois rios e um continente pela vida.

Sinto sua falta. Mas nada tão ruim.

Mesmo perder teus gestos e tua voz, pra mim

não muda nada, pois, querida,

a arte de perder não é tão difícil assim,

embora pareça... (Vai, escreve!) ...tão ruim.

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