DA MINHA TERRA
(Nilson Chaves – Jamil Damous)
te trago da minha terra
o que ela tem de melhor
um doce de bacuri
e um curió cantador
trago da minha cidade
tudo o que lá deixei
numa das mãos a vontade
e na noutra o que sei
e eu sei tão pouco menina
desse planeta azul
sei por exemplo que o norte
fica pros lados do sul
sei que o rio de janeiro
deságua em turiaçu
sei que você é pra mim
o que o ar é pro urubu
te trago da minha terra
o que ela tem de melhor
tigela de açaí
bumba-meu-boi dançador
trago da minha cidade
tudo o que lá deixei
dentro do bolso a saudade
e na mala o que sonhei
e eu sonhei tanto menina
londrestocolmoistambul
sonhei new york e caracas
roma paris e seul
mas hoje o rio de janeiro
ainda é turiaçu
só você pra mim já é
leste oeste norte sul
Deveria se chamar “Das minhas terras”, pois os versos que enumeram as oferendas à musa (cujo nome está camuflado na passagem do penúltimo pro último verso) intercalam coisas típicas do Pará (tigela de açaí, doce de bacuri) com outras do Maranhão (bumba-meu-boi dançador, curió cantador). Mas além de maranhense e paraense, também sou carioca (maparioca). E é no Rio de Janeiro, no tempo presente, que a canção de amor deságua. Regravada por Jane Duboc, Ednardo e outros, é uma das minhas parcerias com Nilson mais conhecidas (acho que só perde pra Toca Tocantins) e, entre estas, a de que mais gosto.
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