FOTOGRAFIA DO 11 DE SETEMBRO
Pularam dos andares em chamas—
um, dois, alguns outros,
acima, abaixo.
A fotografia os manteve em vida,
e agora os preserva
acima da terra rumo à terra.
Ainda estão completos,
cada um com seu próprio rosto
e sangue bem guardado.
Há tempo suficiente
para cabelos voarem,
para chaves e moedas
caírem dos bolsos.
Permanecem nos domínios do ar,
na esfera de lugares
que acabam de se abrir.
Só posso fazer duas coisas por eles—
descrever este vôo
e não acrescentar o último verso.
Wislawa Szymborska
(trad. de Nelson Ascher)
domingo, setembro 11, 2011
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