quarta-feira, setembro 21, 2011

De "HAICAIS LOCAIS":


CEIA

Noite de chuva, lua cheia.

Não a vejo.

Sei-a.



BALADA DO HOTEL TOLEDO

Agora, enfim,

moro dentro

de mim.



CAMINHADA NOTURNA

Nossos cigarros:

dois vagalumes conversam

na estrada sem carros.



MORRO DOIS IRMÃOS

Diante dos teus crepúsculos,

o meu olhar

flexiona seus músculos.



AMANHECER

No pio do passarinho,

um fio de luz acende a manhã,

devagarinho.



METEOROLOGIA

Nublado dia:

de vez em quando

o sol o espia.



DE MANHÃ

Na janela, de repente,

o Pão de Açúcar, embrulhado

(de nuvens) pra presente.



BLECAUTE

A vela e eu:

duas luzinhas tentando

iluminar o breu.



BREAKFAST

Nesta manhã amarga e sem fé,

a lembrança do teu riso

adoça o meu café.



De "QUASE HAICAIS":



BAGAGEM

Uma folha seca

guardada na mala.

Clandestino, o outono

de Nova York

viaja para o Brasil.



CANTADA

Quando te vê, minha flor,

meu coração

beijafloreia.



VERBOS

(as quatro conjugações)

luar

prazer

porvir

amor





CANÇÃO PRA SIDA

temos um passado,

meu amor.



ERRO DE REVISÃO

A vida, sempre deslocada.

Como o acento na palavra ávida.



KALETRA LAMIVUDINA TENOFOVIR INVIRASE

Por causa deles,

minha vida é uma festa.

de coquetel,

são dois por dia.



PRECE

Que isto seja

tudo o que possa ser

alguma coisa.




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