sexta-feira, setembro 23, 2005

PAI

Esse que teve o meu nome,
em que parte de mim habita?
Num gesto meu que o retome?
Na minha voz que o repita?

Esse que eu nem amei,
sob que forma ele vive?
No pouco que dele sei,
no que eu dele retive?

Esse que a mim se assemelha,
como o verei um dia?
Sob a luz de uma centelha
ou clara fotografia?

Esse que em mim deflagra
essa genética flor,
será que um dia me flagra
em sua mesmíssima dor?

Esse que eu não conheço
viverá dentro de mim?
Mesmo que eu responda não,
imporá ele o seu sim?

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