A CAMISA NO VARAL
No varal,
uma camisa veste o vento
e seca ao sol
estendida no tempo.
Atravessou manhãs
imune ao dano
de que o dono
não ficou impune.
Se pui de outra maneira
e de outra forma desbota.
Em sua carne de pano
os dias traçam outra rota.
Agitam-se como bandeiras
os seus significados,
todos ocultos na cor
e no xadrez intrincado.
No bolso, o que se guarda?
Um bilhete suicida,
um inédito poema
ou o segredo da vida?
Na etiqueta, que palavra
seca ao sol o seu sentido?
Será uma simples marca
ou um signo perdido?
Como salvar do tempo
essa camisa só símbolo?
No varal da memória,
ela balança seu enigma.
sexta-feira, setembro 23, 2005
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