BRANCO SOBRE BRANCO
O silêncio se instala dentro da noite
e todas as coisas são brancas.
Branca é a própria noite,
o papel em que escreve o poeta,
brancos os desejos.
O poeta exilou-se no branco
país sem idioma, entre
seus habitantes mudos.
À margem de um rio que não corre,
sem verbo é sua tristeza.
O poeta fuma o cigarro branco
e expele da boca - pálida e calada -
brancas nuvens, que não passam.
O branco toma conta de tudo:
apagam-se as paredes, outrora verdes
e o rádio silencia na sala, agora campo
sem horizonte.
O café sabe a água, água
daquele rio imóvel.
O jasmim já não é sequer memória.
Os dedos não mais sentem as teclas
que deixam de imprimir palavras
porque só há o branco,o branco sobre o branco.
sexta-feira, setembro 30, 2005
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