terça-feira, fevereiro 24, 2015

TRÊS POEMAS INÉDITOS (2)

POLAROID

Quase se pode ver
o calor que se desprende do teu corpo
embora àquela hora
- 11 e 30 da manhã -
fizesse muito frio em São Paulo.

Meu corpo magro busca no abraço
o teu calor.
A árvore de cores muito quentes
com seu guarda-chuva de flores
(ou coroa)
paira sobre nós, nos agasalha.

Assim estamos
na fotografia que a máquina
pôs pra fora - língua zombeteira
(na verdade, ciumenta do nosso amor)-
e na qual vimos nossas imagens
das trevas do papel
pouco a pouco
se acenderem

como numa aurora.




CASINHA BOA
                      
                               “A borboleta é uma flor que voa”
                                      José Paulo Paes



por sobre o teto da nossa casinha
a borboleta é uma flor que voa
é lá que o nosso amor se aninha
e o nosso amor por uma outra pessoa

no fundo da nossa casinha
uma montanha que nos abençoa
o rio  é um caminho que caminha
em direção a alguma coisa boa

cá dentro da nossa casinha
carinho, fé, amor, café com broa
a sala o quarto o banheiro a cozinha
em cada canto o nosso canto escoa

bem longe da nossa casinha
a voz do nosso filho ecoa
leva pra longe toda dor mesquinha
não deixa a vida ser vivida à toa


A MOÇA DE VOLENDAM

enquadrada na janela
do ônibus eu pude ver
na casinha em volendam
em luz de clara manhã
a moça espremendo a fruta

e ainda hoje, na luta
de uma  esperança vã,
meus olhos querem de novo
a moça de volendam

o sol de sua loura franja
as mãos brancas na laranja
na manhã de volendam

mas só na fotografia,
essa noite faz-se dia
aquele dia de maio
frio e claro em que a vi

nas estradas de holanda
na fria e clara manhã
entre barcos, bicicletas
tulipas, frutas seletas
todas as setas apontam
pra moça de volendam

quero voltar para vê-la
seus dentes como se estrelas
seus lábios feito maçãs

quero voltar para ver
na fria e clara manhá
a moça espremendo a fru
ta
na casinha em volendam


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