AS CARTAS
Vivem silenciosas no fundo da gaveta.
Como nós, também envelhecem,
como se pode ver
pelo pálido amarelo de suas folhas.
Para elas já é outono,
não a primavera febril
que um dia eu quis te dar.
No fundo da gaveta,
silenciosas vivem
as cartas
que nunca te mandei.
O DIA NASCE RUBRO
O dia nasce rubro
pros rumos de Botafogo.
O Pão de Açúcar é um presente
que meus olhos desembrulham
ainda cobertos de nuvens.
Na encosta do morro
os passarinhos cantam
obstinados
sua presença no mundo.
Logo estarão — estaremos —
vencidos pela manhã ruidosa.
ACEITAÇÃO
Escrevo meu nome
com a ponta do dedo
na lousa de ar desta manhã
escura e fria
(desta manhã quase noite).
Letras de fogo brilham no ar por um instante.
Brilham como as estrelas que na madrugada se abriram
— rosas rubras sobre minha solidão —
e me trouxeram a luz da aceitação
de ser quem sou.
domingo, janeiro 11, 2015
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