terça-feira, janeiro 06, 2015







SONETO DO QUE NÃO PASSA 

Te dou o meu passado de presente: 
a luz de um certo maio que se foi, 
a lua que luava sobre a gente 
no campo antigo onde pastava um boi. 

Eretas palmeiras te ofereço 
e o vento que dançava sensual 
em suas palmas, com as quais eu teço 
este canto de dor e carnaval. 

Te trago desse tempo o que não passa: 
a flor que nunca murcha no seu vaso, 
as suas cores vivas, infinitas, 

um vinho intocado em sua taça, 
um arco-íris antes do ocaso 
e um buquê de palavras nunca ditas. 

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