SONETO DO QUE NÃO PASSA
Te dou o meu passado de presente:
a luz de um certo maio que se foi,
a lua que luava sobre a gente
no campo antigo onde pastava um boi.
Eretas palmeiras te ofereço
e o vento que dançava sensual
em suas palmas, com as quais eu teço
este canto de dor e carnaval.
Te trago desse tempo o que não passa:
a flor que nunca murcha no seu vaso,
as suas cores vivas, infinitas,
um vinho intocado em sua taça,
um arco-íris antes do ocaso
e um buquê de palavras nunca ditas.
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