e entre tuas paredes
(que ainda
guardam os sons , as sombras ,
os gestos
de
uma tarde perdida no tempo )
construí,
pedra por
pedra ,
esta
saudade .
percorreu
quilômetros entre
a cozinha e a sala
caminhando
para o dia de
hoje ,
na enciclopédia pousada
sobre a estante ,
viajei
pelos cinco
continentes
e pelos ventres molhados das mulheres
que amei.
e a
guitarra de Hendrix alvoroçando a alma ,
incomodando
todos os vizinhos ?
e é
lá (aqui ),
neste espaço de tão
poucos metros ,
os quartos da mãe
e dos irmãos , os seus
limites ,
o banheiro onde o
cheiro da família
recendia nas toalhas ,
a conversa dos talheres
na sala de jantar ,
o arroz queimando na cozinha
as nossas vidas
e o
quintal , o quintal
onde as roupas
estendidas
secavam
ao sol , vestindo o vento .
foste
mais que
abrigo e residência ,
foste
porto seguro
e minha embriaguez ,
nas noites quentes
de Belém
e suas ruas que sempre me levavam a ti
(como se leva no
ombro um amigo ébrio )
há muito eu me mudei de ti,
1 comentários:
Legal, me lembro do cubículo.
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