sexta-feira, fevereiro 24, 2012

A CATEDRAL DE OSCAR

Nossos olhares turistas
buscam  a catedral.
Mas catedral não há.

Há 16 bumerangues lançados ao céu.

Mãos atéias
quiseram aqui
tocar o divino.

O que traçaram?

Gesto de súplica?
Mãos em prece?
Coroa de espinhos do Cristo?
Cálice da consagração?

A tudo queremos comparar
a incomparável catedral.

Queremo-la figurativa,
mas ela é abstrata.

Íntegra em qualquer ângulo,
onde sua porta?

Porta não há.

O que há é o túnel,
o túnel escuro,
por onde entramos
para o espanto dos vitrais,
muros de luz.

Toda portas,
ela se abre aos nossos olhos
que, por fim, encontram

a cúpula:

o céu
azul
ardente
do Planalto.

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