sábado, novembro 19, 2005

O OFÍCIO

Armar a palavra,
deflagrá-la
exata e clara
contra o não.
Deflorar os significados,
pôr a mão
na ferida do não dito.
Organizar o infinito,
mesmo que com o pouco,
mesmo que com o ínfimo.
Retesar o verso esperto, despertá-lo,
despetalá-lo em mil faces
até então ocultas.
Disparar contra o ar
esse outro ar feito escultura,
esse que fala
e cala fundo
reinventando o mundo.

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